1 de jul de 2004

A NOVA ORDEM DE FURACÕES E SANTO ANDRÉS

Eu achava que escrevia para dez leitores fiéis. Hoje me dou conta de que, fora os que me lêem para ponderar o que escrevo, há um número dificilmente quantificável de energúmenos que me lêem para espumar de ódio quando estou certo e para morrer de rir quando meu time se fode.

Entendo que, para esse segundo grupo, o que aconteceu ontem seja engraçadíssimo, uma pândega. Não os culpo: eu mesmo contabilizo entre os dias mais felizes de minha vida o 1º de dezembro de 1998, quando o Vasco da Gama se fodeu de verde e amarelo em Tóquio.

Paciência. Não sei quantos entre esses leitores de má vontade terão condições intelectuais de, uma vez exercido o sacrossanto direito de sacanear quem perdeu e deu vexame, parar e pensar sobre se faz sentido o que eu escrevo.

Há tempos venho dizendo que o futebol brasileiro como um todo vive o seu pior momento. São Caetano, Atlético Paranaense, Figueirense, Criciúma, Ponte Preta, Brasiliense e agora Santo André só podem ocupar posições de destaque em âmbito nacional quando Flamengo, Curintcha, Vasco, Palmeiras, Atlético Mineiro, Inter e Grêmio estejam no fundo do poço.

Os torcedores dos clubes pequenos hão de argumentar que estão onde estão por méritos próprios, porque souberam investir e planejar a longo prazo. É uma meia verdade. Seria uma coincidência insólita se só clubes do quilate do Atlético Paranaense e da Ponte Preta tivessem dirigentes competentes. Minha tese é que, por experiência histórica, tinham, sim, os dirigentes mais preparados a administrar um futebol entre o medíocre e o mediano. Quando a crise se instalou e manter grandes times se tornou inviável, prosperou quem sempre se contentou em montar times para disputar a segundona.

Durante a transmissão do jogo de ontem, pela Globo, o Sérgio Noronha intuiu a justeza do que estou dizendo. O Casagrande, que entende tudo dentro das quatro linhas, acha que, fora delas, São Caetano e Santo André têm uma administração de Manchester United. Interpretações divergentes do porquê da “nova ordem” que todo o mundo viu que está aí, mas que os mais conseqüentes esperam que seja passageira.

Para a torcida arco-íris, o Flamengo perder em casa uma decisão para o Santo André deve ser algo assim como tocar o céu com as mãos. Mas, quando a zebra, mais que um episódio isolado, demonstra uma tendência que também afeta, em maior ou menor grau, o Curintcha, o Grêmio, o Palmeiras, o Atlético Mineiro e o Botafogo, os analistas inteligentes deviam soar o sinal de alarme.

O bem do futebol brasileiro está no bem dos grandes clubes brasileiros. Algo precisa ser feito para tirá-los do fundo do poço.

30 de jun de 2004

REALISMO ANTIPÁTICO HORAS ANTES DA FINAL

Há quem diga que o ano de 2004 termina esta noite para o Flamengo. Vencendo o Santo André, terminamos a temporada campeões cariocas e com o tão sonhado bilhete de volta à Libertadores. Perdendo, resta-nos apenas brigar para não cair no Brasileiro.

Não estou de acordo, nem acredito que a conquista da Copa do Brasil possa automaticamente transformar em amistosos de luxo os trinta e tantos jogos que, noutro cenário, a uma derrota de distância, seriam uma briga inglória e suada para escapar da segundona.

O Flamengo precisa vencer, é certo. Nosso orgulho e nossa auto-estima dependem disso -- perder seria vexame -- e a conquista abre perspectivas interessantes para 2005. Mas a alegria por nossa segunda Copa do Brasil terá muito de alívio pelo dever cumprido e pela superação de um obstáculo que, a acreditar nos otimistas, impede que o Flamengo jogue o que pode no Brasileiro.

Domingo não é o começo do fim da temporada rubro-negra. O time precisa entrar em campo, contra o Paysandu, sem a menor banca de campeão do que quer que seja. Ainda tem muito a provar até o fim do ano.

Não peço muito: peço a campanha decorosa que me limito a pedir de uns anos para cá. Claro, uma campanha decorosa com um título carioca e um da Copa do Brasil será consideravelmente melhor que uma campanha decorosa com um oitavo lugar no Brasileiro, e só. Mas é um balanço a ser feito em dezembro, não em junho.

Eu sei que estas linhas são um tanto pé-no-chão demais para poucas horas antes de uma final de Copa do Brasil. Desculpem lá. Quando o Flamengo entrar em campo ao som de “Ó meu Mengão, eu gosto de você”, vou estar tão emocionado quanto cada um dos 80 mil presentes à festa. Só queria que, amanhã, quinta-feira, todos os nossos jogadores pensassem um pouquinho como eu penso hoje.

10 de jun de 2004

“BANDEIRA BRANCA, NÃO POSSO MAIS”

Já que aquela gente esquisita do Blog de Primeira resolveu pedir arrego -- “bandeira branca!”, suplica o sr. Mendes Junior --, quero dizer umas palavras finais sobre a polêmica que me ocupou as horas vagas e deu sentido à vida vazia de muito escrevinhador paranaense nos últimos dias. Com isso, encerro a discussão e demonstro um pouco de magnanimidade com quem, no final das contas, perdeu a briga e resolveu apelar para o argumento batido de que “você é chato” e que “o assunto can-sou!”

(1) De produtivo, fica assentada apenas uma conclusão: que a crise afeta quase todos os grandes clubes do país, e que é preciso uma solução política para salvar a maior paixão nacional. O bem do futebol brasileiro está no bem dos grandes clubes brasileiros, e é imperativo que o Estado brasileiro ajude a aliviar sua situação de sobre-endividamento (e.g., por meio do perdão ou da renegociação de dívidas tributárias e previdenciárias).

(2) Devolver aos grandes clubes o lugar que lhes é de direito acabaria com um futebol nivelado por baixo, única conjuntura em que os clubes do Paraná podem aspirar a grandes coisas. Não é justo, os paranaenses hão de espernear, mas a vida nem sempre é justa. Não é qualquer fabricante de mobilete que pode aspirar à proteção que o Estado dá à Embraer, assim como não é qualquer Atlético Paranaense que pode aspirar a receber o mesmo tratamento que o Flamengo.

(3) Entrando, agora, nas considerações pessoais: na cabeça privilegiada do sr. Mendes Junior, um blog dedicado ao futebol carioca há de ser necessariamente obscuro. Que dizer, então, do Blog de Primeira? Salvo engano, aquele é um blog sobre futebol carioca, tamanha a obsessão deles com o assunto. Se um blog sobre futebol carioca escrito por cariocas é forçosamente obscuro, como qualificar um blog sobre futebol carioca escrito por paranaenses?

É natural que o centro desperte um interesse desproporcional na periferia. Mas as Cartas da Inglaterra do Eça de Queiroz jamais darão uma visão tão clara da realidade inglesa como uma leitura criteriosa do Times.

(4) Alguém lá no Blog de Primeira sugeriu, acho até que de boa fé, convidar o Tinhorão a publicar seus textos por lá. Agradeço, mas sou forçado a declinar do convite. Já fui convidado a publicar em espaço muito mais conceituado que aquele -- o que muito me honrou --, mas não pude aceitar por uma questão de liberdade editorial: faço questão de manter o tom belicoso, confrontativo, quando falo de assuntos que me são particularmente caros. Essa liberdade não casa bem com um espaço coletivo, com regras de conduta e restrições de tom e de linguagem subentendidas.

(5) Uma última palavra sobre “blogs desabitados”: após levar uma surra na discussão, o sr. Mendes Junior quis sair por cima acusando este blog de ser “obscuro e desabitado”, e este autor de nem atualizar o blog regularmente. Sobre a segunda acusação, simplesmente constato que eu tenho mais o que fazer do que ele. Sobre a primeira, mil vezes escrever para meus oito leitores, que têm domínio da língua portuguesa, a escrever para gente como o quadrúpede lá que me acusa de escrever com um dicionário do lado (e que parece ter uma tese de pós-doutorado sobre o feudalismo): se eu tivesse que fazer como os jornalistas da Folha de São Paulo e cortar todas as palavras “complicadas” e desconfiar das que tenham mais de três sílabas, eu simplesmente pararia de escrever.

7 de jun de 2004

NO PASARÁN
(OU “Da perplexidade que leva ao emputecimento”)


Antes de mais nada, queria recomendar a leitura do último post do meu compadre Valido Platero, também sobre as sandices publicadas pelo sr. Mendes Junior no Blog de Primeira. Destaco um trecho, que está longe de ser o meu favorito, só para deixá-los com água na boca:

“O sr. Leonardo pensa que o carioca mantém o Maracanã apenas por orgulho. Não o culpo. Quem vive em uma cidade cujo maior monumento é um relógio feito de flores não poderá nunca entender o que é conviver com um símbolo mundial [...].”

Em segundo lugar, penso que devo uma satisfação aos leitores que acham que eu peguei pesado com o cretino do sr. Mendes Junior porque diagnostiquei sua cretinice. Não conheço pessoalmente o palpiteiro da Gazeta do Povo e, se bati nele mais do que ele talvez merecesse, é porque julgo que seus escritos são típicos da crônica esportiva paranaense: bairristas e recalcados.

Reconheçamos desde já a verdade evidente e não voltemos mais a esse ponto: o futebol carioca vai muito, muito mal das pernas. Tão mal que está no mesmo nível ou talvez abaixo do futebol paranaense (reparem os leitores da terra dos pinhais que o futebol de seu Estado é paradigma de mediocridade, é como que um marco: daqui para baixo é tudo merda).

Diante dessa verdade insofismável, identifico dois tipos de reações patológicas na imprensa nacional: a dos cronistas cariocas, que, regra geral, não a reconhecem, e a dos paranaenses, que não têm nada a ver com isso mas transformaram a crise do futebol carioca num de seus assuntos prediletos, numa obsessão.

Quero frisar que, para mim, as duas reações são igualmente patológicas: o carioca que não quer enxergar a realidade e o paranaense que se compraz em escancará-la com exagero.

O primeiro caso é um problema doméstico nosso: no filho meu, bato eu, e eu canso de bater, aqui mesmo neste blog, nos cronistas cariocas indignos de ocupar o espaço que já foi de Nelson Rodrigues e João Saldanha.

O segundo caso é de agressão estrangeira, a que eu não deixarei de responder com intensidade desproporcional para botar em seu devido lugar os ruminantes da imprensa esportiva do Paraná.

Dir-se-ia que há uma inversão de papéis: as análises que deviam vir n'O Globo e no JB acabam sendo impressas no Correio do Povo ou sei lá que outro pasquim provinciano. É como se as notícias sobre as falcatruas que acabaram levando ao impeachment de um Governador de um Estado qualquer viessem, não nos jornais desse Estado, mas nos já referidos O Globo e JB.

Se essa obsessão com a crise do futebol carioca fosse coisa de jornalistas de São Paulo, eu até entenderia: não aceitaria, mas entenderia. Mas... o Paraná? Que cazzo nós fizemos ao Paraná para merecer tamanho ressentimento dessa gente? Nós não fazemos piada com paranaense (que nem para estereótipo essa gente serve), não fazemos turismo por aquelas plagas, não invadimos as belíssimas praias do litoral deles, não vivemos dos impostos que eles pagam (pecado de que eles acusam os nordestinos), não os tratamos mal quando vêm ao Rio, não sintonizamos a TV para torcer contra os times deles, não limpamos o pau na cortina quando comemos as filhas e esposas deles... Qual é exatamente o problema deles conosco?

Juro para vocês: para mim, é quase como se a imprensa tirolesa ou normanda resolvesse dedicar artigos diários e mesas redondas semanais à crise do futebol carioca. Meu emputecimento vem da minha perplexidade.

Eu poderia, é claro, tratar as nulidades do quilate do sr. Mendes Junior com uma superioridade olímpica. Mas me recuso a fazê-lo. Assim como La Pasionaria, o Tinhorão gostaria de ser lembrado por uma idéia fixa: no pasarán. Quando comecei a escrever sobre futebol, jurei para mim mesmo não deixar passar sem resposta nenhuma imbecilidade grafada ou relinchada pelos cretinos do meio futebolístico brasileiro. Por mais insignificantes que sejam os autores, no pasarán.


6 de jun de 2004

AS LIÇÕES DO SR. MENDES JUNIOR





Um dos motivos pelos quais sou grato aos Rolling Stones é por terem popularizado o adágio it’s the singer, not the song. Eu o uso constantemente para explicar as causas de meu mal-estar quando ouço coisas sensatas pronunciadas por um cretino.

Digo isso a propósito das muito mal traçadas linhas do senhor Leonardo Mendes Junior no Blog de Primeira. Naquele escrito, o palpiteiro paranaense defende a demolição do Maracanã -- proposta com a qual evidentemente não concordo -- porque isso ajudaria o torcedor carioca a acordar para a realidade dolorosa da decadência de seu futebol -- constatação que subscrevo sem maiores dramas de consciência.

Dito isso, como responder ao escrevinhador de pasquim de província? Simplesmente jogar na cara dele uma lista de estrelas cariocas de outrora, de Leônidas da Silva a Romário, seria fugir do ponto principal: sim, o futebol carioca foi grande, e até o sr. Mendes Júnior concorda -- a contragosto -- com isso. Mas um Garrincha entortando joões em 1958 não apaga a triste realidade de um Douglas Silva dando patadas na bola em 2004.

Cotejar essa lista com uma que vá de Sicupira a Kléberson, passando por Rafael e Paulo Rink, seria covardia e deselegância. Colocaria o sr. Mendes Junior em seu devido lugar, mas seria deselegante.

Mas há um fato significativo por trás desse contraste entre Zico e Kléberson, um fato que devia ofuscar pela evidência aqueles que pensam o futebol brasileiro: quando o futebol carioca foi grande, o futebol brasileiro foi imenso. Tempos de Leônidas, de Barbosa, de Dida, de Garrincha, Gérson, Zico, Bebeto e Romário. Quando os paranaenses figuram na primeira linha do futebol nacional, é porque o esporte vai mal das pernas: tempos de Rafael e Lela eram também tempos de Márcio Nunes e Lulinha; tempos de Kléberson e Cocito eram tempos de Adãozinho e Magrão; tempos de Coritiba na Libertadores são tempos de Dimba artilheiro do Brasil.

Afinal de contas, quando foi, em um século de história, que os clubes paranaenses foram grandes merdas em nosso futebol? Foi durante a sangria de talentos de meados dos anos 80 -- quando Zico, Falcão, Sócrates, Dinamite, Júnior, Edinho, Careca e até gente do quilate do Casagrande estava ou jogando na Europa ou de malas prontas para ir para lá. Foi de 1999 para cá, quando a crescente debilidade da moeda nacional acabou com a farra dos grandes clubes que até então vinham repatriando talentos, postergando a saída de jovens craques e até importando estrelas de segundo escalão, como Petkovic e Asprilla -- a Brahma, a ISL, a Hicks & Muse, o Bank of America pagavam a conta.

Corolário óbvio: Atlético Paranaense e Coritiba -- assim como Bangu e São Caetano -- só podem aspirar a coisas grandes num futebol nivelado por baixo. Atlético Paranaense campeão do Brasil não é tanto o efeito do trabalho de um Petraglia, mas sobretudo o resultado de gestões imprevidentes como Kléber Leite, Edmundo dos Santos Silva, Eurico Miranda, Mustafá Contursi e Alberto Dualib.

Por que insisto em buscar causas do sucesso relativo dos paranaenses quando o assunto é a decadência inegável do futebol carioca? Porque o sr. Mendes Junior caga regras olhando de cima, como que dando lições aos imbecis que teimam em cantar refrões de tempos idos no Maracanã em vez de assistir a Pato Branco x Matsubara no pay-per-view. Acredita sinceramente que está em condições de nos ensinar a gerir nosso futebol porque não enxerga que o Atlético Paranaense e o Coritiba só podem parecer grandes num cenário de débâcle de quase todos os clubes verdadeiramente grandes.

Que os clubes cariocas mereciam administrações melhorzinhas é uma conclusão inescapável para quem quer -- de verdade, e não da boca para fora -- vê-los fora do atoleiro em que se meteram. Reconhecer isso está longe de subscrever as teses que gente do quilate do sr. Petraglia quer empurrar-nos goela abaixo como receitas para o sucesso.

Claro, o pensamento do sr. Petraglia tem pelo menos coerência interna: ele prega um futebol sem pobres nas gerais porque sabe que matar a paixão é a receita para um time do Paraná disputar espaço com os grandes. O sr. Mendes Junior não enxerga as conseqüências últimas dessas teses modernosas: vem cagar regra porque acredita sinceramente que, se o Atlético se sagra campeão do Brasil, é porque o futebol do Paraná é uma fortaleza.






1 de jun de 2004

A CURIOSIDADE DE JUCA KFOURI

Há alguns dias, em artigo publicado no Lance que só agora me chegou às mãos -- Agora é torcer pelo Santos --, o senhor Juca Kfouri ousou perguntar o seguinte, em voz alta: "Afinal, o que Buenos Aires tem que São Paulo não tem?"

Acabo de mandar o seguinte e-mail ao senhor Kfouri:

Prezado Juca Kfouri:

Dia desses escandalizei-me ao ler um artigo seu intitulado "Agora é torcer pelo Santos". Lá pelas tantas, após falar de tudo e mais um pouco -- do Once Caldas ao Boca x River --, o senhor atirou nas caras perplexas dos leitores uma pergunta absolutamente inacreditável. Li e reli para ver se o senhor não
estava de sacanagem, mas era isso mesmo:

"Afinal, o que Buenos Aires tem que São Paulo não tem?"

O que Buenos Aires tem que São Paulo não tem? Vamos ver por onde eu começo a responder.

Tem História. Tem igrejas que ostentam, nas paredes, marcas de tiros dos combates contra os ingleses em 1808. Tem o cabildo que instituiu o primeiro governo autônomo da América Latina, em 25 de Maio de 1810. Tem a praça onde o povo se reuniu para comemorar o primeiro governo autônomo e onde impôs ao governo militar a libertação do Coronel Perón em 17 de outubro de 1945. Tem, ali do lado, uma catedral onde repousam os restos de um herói da Independência de todo o continente. A 9 de Julho de lá lembra a Independência de um território enorme, não a sedição separatista de uma província.

Tem cultura. Tem ruas e bairros que são descritas em "Sobre héroes y tumbas", e não em "Paulicéia Desvairada" (isso, caro Juca, faz uma diferença monumental). Foi cantada por Gardel, e não pelos Demônios da Garoa. Tem o Teatro Colón, e não uma sala de concertos dentro de uma estação de metrô. Tem El Ateneo, não a Cultura. Tem cineastas que fazem "Nueve Reinas", e não "Cronicamente Inviável". Tem Borges e Cortázar em vez de Mário e Oswald de Andrade, Piazzolla em vez da Leandro de Itaquera, Martha Argerich em vez dos Garotos Podres.

Também tem tudo o que o dinheiro pode comprar, só que eles compram incontestavelmente melhor. Quando tinham bala na agulha, trouxeram simplesmente a primeira filial da Aliança Francesa da história. Trouxeram a única filial da Harrod's de Londres (convenhamos que impressiona mais que o Mappin). Trouxeram o rugby e o pólo, não os bonezinhos da NBA e o hip-hop.

Tem culinária própria. Tem o mui portenho asado de tira, o portenhíssimo bife de chorizo, o portenhérrimo bife de lomo. Tem isso em vez da massa italiana do Bixiga (sic) e dos sushis japoneses da Liberdade. Mas se o assunto é cozinha internacional, desculpe lá, Juca: sou muito mais os
restaurantes branchés de "Palermo Hollywood" que a afetação dos teus Barakahs -- ou sei lá como se chama o estabelecimento de nome indo-persa-paquistanês que é tido e havido, aí no Arraial, como um dos melhores restaurantes do mundo.

Tem o Rio da Prata, não o Tietê. Na beira do rio, tem os parques e ciclovias da Costanera Sur, não o prédio da Microsoft na Berrini. Tem uma grande atriz, a senhora Mirtha Legrand, no lugar que, aí, é da Hebe Camargo. Tem o edifício Kavanagh em vez do Largo do Arouche. Tem a Calle Florida em vez da 25 de Março.

Para terminar, nas colunas esportivas, tem o Fontanarrosa em vez do Juca Kfouri.

Espero que isto sirva, não para satisfazer sua curiosidade, mas ao menos para indicar-lhe por onde começar a instruir-se para que, um dia, o senhor descubra por si próprio por que a sua pergunta é um verdadeiro despautério.

18 de abr de 2004

Paris, 23:35; Rio, 18:35
AS PRELIMINARES DO DR. EURICO


Lendo os relatos da final carioca via Internet em seu exílio parisiense, o Tinhorão conclui, de si para si, que sua vida é um eterno administrar de saudades. Primeiro quando, por razões profissionais, deixou o Rio de Janeiro para instalar-se em Brasília (“o desnecessário tornado irreversível”, segundo o Millôr). Depois nas diversas vezes que, por motivos profissionais, teve de se ausentar do Brasil (uma delas durante a Copa do Mundo de 2002, que comemorou em Genebra, em meio a suíços fazendo cara de suíços diante do esporro que faziam o Tinhorão e sua namorada na Place du Bourg de Four). Agora, em Paris, também por motivos profissionais, quando toma conhecimento pela Internet do título rubro-negro.

Só que nunca antes a saudade de casa doeu tanto.

“Toma conhecimento” pode dar a impressão de que eu me conectei mui tranqüilamente às 23:00 de Paris -- horário previsto para o fim do jogo -- e me inteirei, sempre fleumático, do baile rubro-negro no Maracanã. Mas não foi nada disso: eu sofri com cada minuto de jogo. Sofri mais que os que o puderam acompanhar pela TV ou ao vivo no Maraca, porque eu só tinha, como único recurso, o relato “lance a lance” d’O Globo online. Quem já acompanhou algum jogo por esse sistema sabe o quão angustiante pode ser aquele silêncio absoluto entre a notícia do que aconteceu aos 15 minutos e a do que aconteceu aos 26.

O fato é que, graças a esse sistema, sei que o Flamengo ganhou e deu um baile no segundo tempo. Que teve porrada -- como eu gosto --, que o nosso Douglas Silva deu uma porrada nos cornos do pederasta do Claudemir... enfim, que o Flamengo ganhou na bola e no braço.

Mais não sei. Dava tudo, neste momento, para estar de volta a casa, no Rio, berrando na varanda, mandando os vascaínos tomar no cu, chamando a torcida do Vasco inteira para a porrada. Como não faço desde 2000. Dava tudo para estar na churrascaria da Barra com os amigos da Fla-Bujica, que a esta hora devem estar tomando o primeiro chope de uma série de pelo menos quinze per capita. Do outro lado do oceano, ergo uma taça solitária de Beaujolais e faço um brinde à alegria deles.

Diz a lenda que, no final da vida, já completamente cego, Nelson Rodrigues continuava escrevendo sobre futebol com aquela sua onisciência, apesar de não acompanhar os jogos senão pelo rádio. É que o Nelson era dessas figuras raras capazes de captar a essência mesma do jogo. Mesmo sem a vista, podia escrever sobre qualquer pelada com mais lucidez que os Calazans da vida.

Sem querer comparar-me ao meu guru, permito-me, ainda assim, tecer um par de comentários sobre um jogo que eu não vi nem ouvi.

É sabido que a gentalha que torce por aquela agremiação escrota de São Cristóvão nunca primou pela inteligência. Tivesse um mínimo de discernimento, torcia para o São Cristóvão F.C., do mesmo bairro. Não ganharia um carioca de vez em quando, não teria delírios de grandeza ao constatar que em seu invejável palmarès (perdoem o galicismo, essas coisas contaminam) há um caça-níqueis disputado no Chile na década de 40 ou um brasileiro conquistado contra um São Caetano que entregou o título e a dignidade com medo de voltar para a segunda divisão.

Não teria nada disso, mas não teria o supremo desgosto de ver o inimigo ter sempre mais do que ele, de ver o inimigo campeão do mundo e penta do Brasil, de perder finais para o rival tão odiado ano sim, ano também. O rival do São Cristóvão deve ser o Madureira, que não é campeão do mundo e não disputa finais, muito menos contra o vizinho e “co-irmão” do Vasco.

Seria menos glorioso mas faria menos mal para a auto-estima.

Essa volta toda para me referir ao paquidérmico Presidente do Vasco da Gama. Meu Deus do céu, será que esse delinqüente não aprendeu nada de 1999 para cá?

Em 1999, vocês hão de se lembrar, esse cavalheiro afirmou que Flamengo, Fluminense e Botafogo brigariam para ver quem era o vice do Vasco. Acabou vice ele, engolindo sua língua junto com a trolha que o Rodrigo Mendes lhe enfiou.

Em 2000, chamou o time do Flamengo de “mulambada”. Na hora de decidir, ficou provado que “mulambada” era a que vestia a camisa sem cor nem glória do Vasco da Gama, que, além de não jogar porra nenhuma nas duas finais, ainda amarelou e amarelou feio para o Flamengo.

Em 2001, posou de campeão do Brasil -- apesar de o título ter sido conquistado por default, contra um São Caetano que desistiu de brigar com medo de ser sacaneado pela corja comandada por Miranda & Zveiter -- e julgou-se, da boca para fora, muito acima dos concorrentes ao título carioca. Intimamente sabia que o título fajuto de 2000 valeria menos ainda se não se seu time não se impusesse sobre o Flamengo -- que, quando foi hegemônico a nível nacional, nunca deixou de dar umas porradinhas, a nível local, no Vasco (Rondinelli em 1978; Nunes, Adílio e o inesquecível Ladrilheiro em 1981), no Botafogo (ah, os 6 x 0...) e no Fluminense (que não decidiu nada contra a gente). Petkovic, aos 43 do segundo tempo, pôs fim aos paquidérmicos delírios de grandeza do Dr. Eurico e decretou o tri-vice.

Esta semana, o ex-deputado disse coisas impagáveis. Afirmou que "já tomara medidas para garantir o título estadual do Vasco", que seu time fora campeão já no primeiro jogo da decisão, domingo passado, que aquele time que meus correspondentes juram ser uma merda “é superior ao do Flamengo” e que – pasmem! -- já tinha comprado o chope e que a festa em Sanjanu estava preparada. (Agência Placar)

Arrematava esse amontoado de sandices afirmando que é “burro velho” (“velho”, aí, é juízo de valor), que estava “à frente do problema” -- em suma, que o título estava no bolso do Vasco da Gama.

Há poucas horas, o Jean deu três sem tirar de dentro no rabo do Dr. Eurico.

Em sexo, há quem goste de excitar o parceiro dizendo sacanagens ao pé do ouvido durante a trepada. O Dr. Eurico prefere deixar-nos em ponto de bala dizendo sacanagens à imprensa antes da trepada.

12 de fev de 2004

FOR THE ROAD:
AURIVERDE UNIFORME DA MINHA PÁTRIA
QUE A FILHA DA PUTA DA NIKE AVILTA E DESONRA




Uma última notinha antes de partir. Acabo de ver o novo uniforme da Seleção (foto) e não encontro palavras para exprimir a minha revolta. Deviam castrar o filho da puta responsável por um desrespeito desses, para não deixar descendência.

Essa não é a camisa do Zico, do Pelé, do Garrincha, do Gérson, não é a camisa do Didi, do Falcão, do Nílton Santos. Aquele círculo numerado na barriga -- parece uma bola de sinuca! -- é uma cusparada em cima da história dessa camisa, é um desrespeito contra o maior símbolo deste país.

Confesso que há muito não sinto mais tesão de ver a Seleção jogar, mas foda-se: a Amarelinha é um símbolo nacional tão representativo quanto a bandeira, o hino, o Cristo Redentor. Se querem encher o uniforme de viadagens para vender mais, que façam isso com a camisa nº 2, ou que criem um terceiro uniforme, não me oponho a nada disso. Mas com a Amarelinha, não, filhos da puta.

É preciso que as pessoas de discernimento orientem os bobos alegres que hão de se empolgar com a novidade e expliquem por que ninguém deve comprar essa camisa, por que ninguém deve dar dinheiro a esses desgraçados.

Lembram quando o Bragantino começou a incomodar os grandes, no começo dos anos 90? Logo, logo, apareceu um designer para bolar aquela camisa ultrajante que mais parecia uma vidraça estilhaçada. Deu certo: venderam-se toneladas daquela porcaria. Cansei de ver gente usando aquele trapo... no Maracanã! Claro, comercialmente, foi um êxito rotundo.

Estão tratando a camisa da Seleção como se fosse a do Bragantino.

10 de fev de 2004

ATÉ LOGO AOS AMIGOS E VAI TOMAR NO CU, FABAIANO

É desagradável frustrar meus oito leitores dessa maneira, mas, mais uma vez, compromissos profissionais impedirão uma atualização criteriosa deste blog pelos próximos quatro meses. Parto no domingo próximo para uma viagem de trabalho. Volto com o Campeonato Brasileiro já engrenado e espero encontrar o Flamengo campeão carioca, apesar de tudo, e sem o Fábio Baiano, por tudo.

Até lá, aos que se acostumaram com a imparcialidade deste cronista, sugiro uma leitura atenta do Valido Platero -- que é por onde pretendo manter-me informado sobre o futebol pátrio nesses quatro meses. Mas não deixem de visitar este blog ocasionalmente: pode ser que, ao contrário do gorila da piada, eu dê notícias.

Obrigado aos leitores e saudações rubro-negras.

4 de fev de 2004

LADRILHEIROS UNIDOS

Para as almas sensíveis que se sentiram tocadas pelo lirismo do último post e pelo bom gosto das referências cinematográficas que o ilustram, tenho imenso prazer em anunciar a inauguração do blog Ladrilheiros Unidos, de meu compadre Valido Platero.

Descontados os evidentes exageros do Valido em homenagem a este cronista, certifico e dou fé que os leitores encontrarão, em cada linha do que escreve o Valido, as mesmas qualidades que -- perdoe-se-me a imodéstia -- venho logrando manter em meus escritos futebolísticos: imparcialidade, isenção, descompromisso com qualquer clube, o primado da verdade acima de tudo.

Com o Valido no ar, reforça-se ainda mais a antiga constatação, agora aplicada à comunidade blogo-futebolística brasileira: quem manda nesta porra é a torcida do Urubu.


3 de fev de 2004

FLA-FLU: UMA ANÁLISE RONJEREMIANA

Feitos os salamaleques que este cronista julgava cabíveis ao Fla-Flu e a nosso mais digno rival, é chegada a hora de tripudiar um pouquinho do adversário de domingo, antes que meus oito leitores se impressionem com meus elogios rasgados ao tricolor e concluam, com precipitação e evidente desacerto, que o Tinhorão aviadou.

Deixo a análise ronjeremiana (ou seja, alicerçada nos postulados do Dr. Ron Jeremy) a meu compadre Valido Platero, que compartilhou comigo reflexões que lhe ocorreram após a leitura da seção "Fala Tricolor", do site Sempre Flu -- dos melhores sites de humor do Brasil, no gênero "humorismo involuntário". Platero:

Deus do céu.

Vi o tal blog do Sempre Flu.

É um espetáculo lastimável. Nunca pensei que eles vivessem TANTO em função do Flamengo.

Nunca imaginei que, enquanto passo meus dias preocupado com Junior Baiano na zaga, Da Silva no meio-campo, Jean no ataque, Márcio Braga, Delair, etc, os outros torcedores de outros clubes passassem o tempo fazendo A MESMA COISA que eu, ou seja, vivendo pelo Flamengo.

Só pensam em Flamengo, só ficam justificando o tal olé. Só ficam reclamando do fato de que o Felipe ESCULACHOU os onze jogadores mais os reservas e mais os 6 mil torcedores que foram torcer pelo Fluminense. Só ficam chiando do fato de o Felipe ter estuprado o Fluminense do mesmo jeito que o Sean Michaels e o Mr. Marcos já se cansaram de fazer com a Daniel Cheeks ou com a Talia James ou com a Tiffany Mynx.

Foi uma curra tão intensa que acho que o Pay Per View deveria passar NO SEXYHOT e não no Sportv. Crianças não deviam ver o Flamengo fazendo aquilo. O jogo deveria ter sido apitado pelo Neville D´Almeida, que já tem a experiência em uma cena parecida, a de Lucélia Santos sendo violentada por oito negões e gritando "foooode negro". É isso aí: o Fluminense ontem passou 90 minutos gritando "foooooooode" e a gente achou que era "oooooooolé".

É uma pena -- sou egoísta nas minhas paixões. Queria que o Flamengo fosse só para mim, ou melhor, para nós rubro-negros. Mas os outros insistem em participar, em querer adorar o Manto também.



2 de fev de 2004

CONFISSÕES APÓS UM FLA-FLU ETERNO



As gerações mais jovens -- essa gente esquisita que acha que Curintcha x Parmera é clássico, que o Cruzeiro é um clube vencedor e que referência de ídolo rubro-negro é um certo anão de língua presa -- tiveram ontem uma oportunidade única de se instruir sobre o que é futebol brasileiro. Num Maracanã lotado (lotado para os padrões de hoje, quando essa gente esquisita acha que 60 mil é um público estupendo), os dois únicos clubes eternos do futebol brasileiro travaram um duelo digno das melhores tradições do Fla-Flu.

Na euforia pós-clássico, acho até que foi um dos maiores Fla-Flus de todos os tempos -- na companhia daquele poema que foi a final de 1995, com gol de barriga do Renato, dos 5 x 0 do último gol de Zico (que ele guardou para um Fla-Flu), dos 4 x 2 de 1973 (deles) e de 1991 (nosso), do Fla-Flu da Lagoa de 1941, do 0 x 0 de São Marcial em 1963, do golaço-aço-aço do maior camisa 2 de todos os tempos, em 1985, de Assis decidindo um clássico que parou o Brasil em 1984.

Dado eloqüente da breve retrospectiva acima: são quatro vitórias tricolores, quatro rubro-negras (com a de ontem, cinco). Além de demonstrar cabalmente -- aliás mais uma vez -- a imparcialidade deste cronista, o dado comprova o amor que sentimos pelo Fla-Flu todos os que somos genuinamente apaixonados pelo futebol: gosto tanto desse clássico que lembro com carinho até algumas de nossas derrotas mais sofridas.

(Exemplo: se me deixou sem dormir naquela noite lá se vão quase dez anos, hoje lembro com carinho do gol de barriga do Renato porque acrescentou a dose extra de dramaticidade que faria daquele um Fla-Flu de verdade. Não bastava o Flamengo ter tirado forças do nada para empatar um jogo já perdido: um Fla-Flu daqueles tinha de terminar de maneira inverossímil, com um Fluminense batido virando o jogo pelo avesso mais uma vez, com uma bola boba que bate numa barriga e vai, em câmara lenta, rumo à meta rubro-negra, sob os olhares incrédulos de onze flamengos na área e mais 60 mil -- yo incluso -- nas arquibancadas.)

Faça um teste com torcedores de outros clubes e pergunte se se lembram com carinho de alguma derrota diante do maior rival. Um prêmio para o curintchano que me confessar que, hoje, enxerga poesia nos 30 mil palmeirenses rezando de mãos dadas em 1993, enquanto Evair corria para a marca de cal e decretava: Porcos 4 x 0 Gambás. Um prêmio para o colorado que achar graça no André Catimba dando e levando porrada, fazendo o gol do título e caindo com os cornos no chão em 1977. Um prêmio para o vascaíno que se emocionar com Rondinelli “penetrando como um pênis a defesa cruzmaltina”, subindo mais que todo o mundo e estabelecendo uma marca: aqui começa o maior esquadrão de todos os tempos.

Isso não existe, senhores, e não existe porque o Fla-Flu é diferente de todas as pequenas rivalidades em que se comprazem porcos e gambás, atleticanos e cruzeirenses, gremistas e colorados, milanistas e interistas, xeneizes e millonarios, madridistas e blaugranas. Não é só um ódio do tamanho do mundo: é uma rivalidade forjada no amor e no ódio, é um eterno acerto de contas entre pai e filho.

Depois daquele jogo de 1995, vi um tricolor desfilar com uma camisa com os seguintes dizeres, em verde e grená: “Eu teria um desgosto profundo / se faltasse o Flamengo no mundo”.

Faça esse outro teste: que palmeirense teria um desgosto profundo se faltasse o Curintcha no mundo? Jurando sobre a Bíblia, nenhum.

Aliás, é essa a diferença entre o Fla-Flu e o Flamengo x Vasco. Se me dessem esse poder, o clube do subúrbio deixava de existir amanhã mesmo. O Fluminense, não.



***

Dizer o que do anão ontem? Depois do primeiro gol rubro-negro, jogou um partidaço, virando para 3 x 1. Depois dos 3 x 1, não lhe bastava a consagração ao final dos 90 minutos, não queria compartilhar a sua glória com os dez coadjuvantes tricolores, e saiu para ser ovacionado sozinho. De herói a vilão em menos de 30 minutos: não fosse seu estrelismo, não fosse seu ego inflado, a história do jogo poderia ser outra.

É por essas e outras que me recuso a ver no Romário um dos gigantes do futebol (sem trocadilho). Se lhe sobram qualidades técnicas, faltam-lhe quase todas as qualidades morais (ambição, sede de glória, capacidade de entrega) que fazem um grande campeão.

Sacripanta!

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Frase memorável do meu amigo André Doria, sobre o Parmera: “Ser campeão da Libertadores e já ter caído para a segundona é a mesma coisa que ter comido um monte de mulher gostosa, mas confessar que um dia já deu a bunda.”

30 de jan de 2004

SATISFAÇÃO A QUEM NÃO A MERECE

Desculpem-me os meus oito leitores, mas ainda não tenho assunto para falar de futebol este ano. Só queria compartilhar com vocês a minha perplexidade diante de um e-mail que me chegou às mãos.

Assina-o um bobo alegre chamado Sérgio Portelense, paulistano, torcedor do Palmeiras e da antipática Leandro de Itaquera (um bloco carnavalesco que, em São Paulo, é considerado escola de samba). Não entendi bem a troco de que, mas o cavalheiro aí esperava encontrar neste blog algum post meu espinafrando a festa em comemoração aos 450 anos do arraial (cito textualmente, no dialeto bastardo que se fala naquelas plagas):

entrarei no tinhorao pra ver se mudou algo, aposto que nao pois vcs pagaram pau pros 450 anos e que decidiram nem colocar nada no site seus covardes.... se acovardaram perante o poderio paulistano

Se ele estivesse tão convencido assim do tal do "poderio paulistano", assinaria Sérgio Leandrodeitaquerense.