1 de jul de 2004

A NOVA ORDEM DE FURACÕES E SANTO ANDRÉS

Eu achava que escrevia para dez leitores fiéis. Hoje me dou conta de que, fora os que me lêem para ponderar o que escrevo, há um número dificilmente quantificável de energúmenos que me lêem para espumar de ódio quando estou certo e para morrer de rir quando meu time se fode.

Entendo que, para esse segundo grupo, o que aconteceu ontem seja engraçadíssimo, uma pândega. Não os culpo: eu mesmo contabilizo entre os dias mais felizes de minha vida o 1º de dezembro de 1998, quando o Vasco da Gama se fodeu de verde e amarelo em Tóquio.

Paciência. Não sei quantos entre esses leitores de má vontade terão condições intelectuais de, uma vez exercido o sacrossanto direito de sacanear quem perdeu e deu vexame, parar e pensar sobre se faz sentido o que eu escrevo.

Há tempos venho dizendo que o futebol brasileiro como um todo vive o seu pior momento. São Caetano, Atlético Paranaense, Figueirense, Criciúma, Ponte Preta, Brasiliense e agora Santo André só podem ocupar posições de destaque em âmbito nacional quando Flamengo, Curintcha, Vasco, Palmeiras, Atlético Mineiro, Inter e Grêmio estejam no fundo do poço.

Os torcedores dos clubes pequenos hão de argumentar que estão onde estão por méritos próprios, porque souberam investir e planejar a longo prazo. É uma meia verdade. Seria uma coincidência insólita se só clubes do quilate do Atlético Paranaense e da Ponte Preta tivessem dirigentes competentes. Minha tese é que, por experiência histórica, tinham, sim, os dirigentes mais preparados a administrar um futebol entre o medíocre e o mediano. Quando a crise se instalou e manter grandes times se tornou inviável, prosperou quem sempre se contentou em montar times para disputar a segundona.

Durante a transmissão do jogo de ontem, pela Globo, o Sérgio Noronha intuiu a justeza do que estou dizendo. O Casagrande, que entende tudo dentro das quatro linhas, acha que, fora delas, São Caetano e Santo André têm uma administração de Manchester United. Interpretações divergentes do porquê da “nova ordem” que todo o mundo viu que está aí, mas que os mais conseqüentes esperam que seja passageira.

Para a torcida arco-íris, o Flamengo perder em casa uma decisão para o Santo André deve ser algo assim como tocar o céu com as mãos. Mas, quando a zebra, mais que um episódio isolado, demonstra uma tendência que também afeta, em maior ou menor grau, o Curintcha, o Grêmio, o Palmeiras, o Atlético Mineiro e o Botafogo, os analistas inteligentes deviam soar o sinal de alarme.

O bem do futebol brasileiro está no bem dos grandes clubes brasileiros. Algo precisa ser feito para tirá-los do fundo do poço.

16 comentários:

Kiko disse...

Tinhorão, como sempre, corretíssimo em sua análise. O Flamengo perdeu ontem, mas o que eu mais lamento foi o que esta derrota significa para o Júnior, um dirigente que tem credibilidade e está tentando reestruturar o clube, ao contrário dos FILHOS DA PUTA que passaram pelo Mengão desde 1993.

E o que é mais engraçado é aqueles 'jornalistas' daquele blog paranaense citarem João Saldanha em um artigo que previa justamente o que o Tinhorão hoje aponta, mas que esses jornalistas creem ser uma prova contra os argumentos do Tinhorão. A verdade é que os times pequenos só estão no topo pq os grandes estão na merda.

Oswaldo Tinhorão disse...

Kiko, meu caro, eu não tenho tido tempo para subliteratura. Se tivesse, leria romances policiais, não o Blog de Primeira. Na boa, acho difícil refutar essa tese de que os clubes pequenos vão bem porque os grandes vão mal. Não sei em que contexto citaram o João Saldanha, nem sei que cazzo um autor morto há 14 anos pode ter escrito que invalide a minha tese. Minha e do Sérgio Noronha, aliás, que ontem foi na mosca quando o Galvão Bueno começou a falar da "nova ordem" do futebol brasileiro.

Dado curioso: ao longo da década de 90, os clubes brasileiros deitaram e rolaram na Libertadores. De 2000 para cá, nenhum faz frente ao Boca Juniors. Parece que a tal "nova ordem" de Furacões e São Caetanos esqueceu de impor-se no cenário sul-americano.

Valeu pelo apoio. Bola pra frente.

Mario Cruz disse...

Caro Tinhorão,
Primeiramente parabens pelo texto. No último parágrafo de sua resposta ao Kiko você conseguiu dar a real situação do futebol brasileiro. Parabens

Sérgio Porteleandro disse...

Eu achei o jogo uma maravilha! O resultado fantástico! Acho que vcs, desiludidos flamenguistas, devem olhar para os seus próprios umbigos ao invés de ficar falando que Vasco, Curintcha, Palmeiras... estão dando lugar a times de menor expressão. O Palmeiras está em terceiro lugar na tabela do Brasileirão e mesmo com um time fraco! Vagner Love está indo embora mas contrataremos muita coisa boa! Agora... o Flamengo é bi-vice na mesma noite, hahahaa assisti ao jogo contra o uberlândia no basquete, o Flamengo parecia um patinho acoado no meio de tantos jogadores de qualidade do time mineiro! É porrada de paulista e de mineiro que carioca levou ontem!

VIVA O PALMEIRAS! O time que não tem a maior torcida mas que nunca foi bi-vice numa noite só!

Sérgio (o único torcedor da Portela e da Leandro ao mesmo tempo)

Mauricio disse...

Eu concordo em gênero, número e grau, e inclusive fui até citado no gélido blog de torcedores de time pequeno.

Sou tricolor e senti na pele o que é chegar ao fundo do poço (afinal, após sucessivas más administrações, o Fluminense foi tri-rebaixado).

Clubes grandes e tradicionais vêm, ano após ano, despencando nos campeonatos em função dessa "nova ordem", que nada mais é do que uma conjunção de administrações "pés no chão" (isto é, só se paga o q se pode pagar) e, principalmente, racionalidade no emprego de dinheiro (contratações utilizando a razão e não a emoção).

Pq um Flamengo vem chegando ao ápice do endividamento? Entre muitas das explicações, a principal, na minha opinião, está na pressão da mídia e torcida. Dois anos sem título são suficientes para que um Nero assuma a presidência e toque fogo em dinheiro (é só ver o que Kleber Leite e Edmundo Santos Silva fizeram com o Flamengo...). E tudo por pressão, pura e cristalina.

Dirigir clubes da dimensão de um Flamengo, Fluminense, vasco, Botafogo, Internacional, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Atlético-MG e Cruzeiro (apenas para citar os principais times do Brasil) não é tarefa para criança nem para principiante. É coisa para gente cascuda... Pois esse cara vai lidar com pressões de meios de comunicação como O Globo, JB, Jornal dos Sports, Lance!, Estado de SP, Folha de SP, Rede RBS, entre outros.

Além, é claro, de milhões e milhões de torcedores prestes a invadir o clube e quebrar a porra toda, gente que não te deixa sair de casa se vc perder aquele gol feito aos 40 e poucos do 2º tempo, que te mete a porrada na frente de toda a imprensa se vc é o presidente do clube q acabou de perder um título praticamente ganho contra um clube de 2ª divisão... enfim, é uma profissão de risco máximo, onde vc não tem tempo e nem espaço para errar.

E atualmente, após herdarem autênticas massas falidas e continuarem aumentando esse passivo indigesto (seja por incompetência ou por incapacidade administrativa), o que mais se verá serão clubes tradicionais passando a vergonha q o Flamengo passou ontem.

Mas pq qdo o Atlético-MG e o Palmeiras qdo foram eliminados pelo Santo André não geraram esse rebuliço? Pq qdo o Grêmio caiu para a 2ª divisão em 90 não houve a mesma comoção e tripudiação que o Fluminense em 96/97/98? Pq se o Botafogo cai o futebol do RJ acabou, e se Palmeiras e Portuguesa caem foi apenas um acidente em um ano de administração equivocada? Pq qdo o Vasco é eliminado pelo XV de Campo Bom, é a Lei da Causa e Efeito contra o Eurico e qdo o Palmeiras é eliminado no Parque Antártica pelo ASA de Arapiraca não é? Pq qdo o Botafogo perde uma Copa do Brasil para o Juventude no Maracanã é humilhação e qdo o Criciúma é campeão em cima do Grêmio é o surgimento de um técnico de talento?

Nestes dois últimos parágrafos, tracei um paralelo entre o q é ser time grande (coisa q um Atlético-PR, Coritiba, Paraná, Figueirense, São Caetano, Criciúma, Juventude, Vitória, Goiás, Guarani, Ponte Preta, Santo André e outras merdas nunca serão, mesmo pq ser clube grande exige história, pedigrée e tradição, isto é, serviços prestados ao país).

E ser clube grande e do Rio de Janeiro atinge uma outra dimensão, pq jogar no Maracanã é uma coisa muito, mais muito diferente do q jogar no Morumbi, Pacaembu, Mineirão, Beira Rio, Parque Antárttica, Olímpico, Couto Pereira, Arena da Baixada, etc, etc.

Hj, temos o caos instalado, que irá se reorganizar e novamente tudo voltará a normalidade. Basta ver que de 2000 para cá, a única zebra em Brasileiros foi o Atlético-PR de 2001. E em Copas do Brasil, somente o Santo André esse ano, mesmo pq o torneio vem sofrendo limitações em relação a participantes. Participações em Libertadores? De times pequenos, somente o São Caetano conseguiu essa façanha de chegar em uma final, perdendo para o insosso Olimpia do Paraguai em casa, em um jogo que poderia até empatar (chegando a fazer 1x0).

Contra time grande, e principalmente times do Rio no Maracanã, jogador de time pequeno come grama pq tudo ganha outra projeção... As divisões inferiores não ganharam a dimensão q hj têm (de passar no SPortv e com PPV e o cacete) pq a CBF é bem administrada. Mas sim pq o Fluminense caiu um dia, e o foco, a visibilidade, aumentou completamente. Palmeiras e Botafogo acabaram colhendo benefícios criados pela odisséia do Fluminense, bem como "neo-times" como São Caetano, Brasiliense e Santo André, por exemplo.

O q era a segundona qdo o Grêmio caiu? Um nada, que se postergou até virarem a mesa e levantarem ele e o Coritiba junto...

Para finalizar: o q será da Globo ano que vem se nossos representantes na Libertadores forem Santo André, São Caetano, Figueirense, Ponte Preta e Criciuma? Vai mudar a porra toda novamente, pq torcedor de time pequeno não dá ibope!

Cahuê disse...
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Cahuê disse...

Ta aí, Tinhorão, o contexto em que citei João Saldanha, que já há quinze anos via claramente o que, ainda hoje, muitos não conseguem perceber:

Mestre João já diziaCusto a entender o pensamentos de algumas figuras que apareceram nos comentários aqui do De Primeira. Gente que diz que times como o Paysandu, o Figueirense, o Coritiba e o Atlético Paranaense nunca serão grandes como Flamengo, Corinthians ou Botafogo. Que os times do Paraná nunca serão gloriosos como os times do Rio. Que nunca times de Pernambuco ou do Pará terão jogadores como Zico, Romário ou Rivelino. Nunca, nunca, nunca...

Tento compreender e o que me vem à cabeça é que essas pessoas acreditam em coisas como o Destino Manifesto, ou a superioridade da raça.

Custo a entender os que vêm falar que o Atlético Paranaense tem que ter "inveja e dor de cotovelo" do Botafogo, porque time grande "tem que ter história, passado, coisas para contar, superstições, mitos dentro e fora do campo e, acima de tudo, torcida".

Tento entender e acabo percebendo que só uma explica tal pensamento: ignorância. A mais pura e ingênua ignorância. Ou então como explicar a fato de alguém desmerecer um jogador como Sicupira?

Sabem eles que quem torce pelo Atlético Paranaense não precisa assistir ao documentário dos cem anos do Botafogo para conhecer Didi, Garrincha, Nilton Santos ou Jair. E sabemos os torcedores do Atlético que eles - e temos pena deles por isso - nunca ouviram falar de Alberto, Caju, Jackson, Cireno, Nilson Borges. Sabemos que nem mesmo o Zé Roberto eles conhecem.

Comparam o Petraglia ao folclórico Carlito Rocha, mas não fazem nem idéia de quem foi o histórico Jofre Cabral e Silva. E vêm falar de Armando Nogueira e João Saldanha.

Ah, imaginem a surpresa do Tinhorão e do tal Mauricio Fernandes quando descobrirem que nós, rubro-negros, temos orgulho de ter, entre os torcedores mais ilustres de nosso Atlético, o genial João-sem-medo. Mais surpresos ainda vão ficar quando descobrirem que a resposta ao que eles dizem hoje, Saldanha já deu. Quinze anos atrás.

O "primeiro clube de minha vida", dizia Saldanha sobre o seu Atlético. "Onde comecei neste negócio de futebol", escrevia ele na crônica intitulada Um dos dez mais, que leio eu agora, publicada em livro do extraordinário Heriberto Ivan Machado. Já há 15 anos, João via o Atlético a "afirmar-se na turma da vanguarda dos grandes clubes brasileiros". Apontava para isso o fato de que "tem grande massa torcedora e um notável patrimônio esportivo". Saldanha falava do hoje antigo Parque Aquático que o Atlético comprara. Imaginem se tivesse conhecido o fabuloso CT do Caju.

E concluía João, como sempre, definitivo: "A gente fica só aqui pelo Rio, que só tem assistido a involução dos clubes, enquanto outros lados estão fazendo imensos progressos. Já, já, ninguém estará dando muita bola para o Rio de Janeiro. Aqui ninguém se mexe. O Atlético, facilmente, está entre os 10 mais".

Oswaldo Tinhorão disse...
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Oswaldo Tinhorão disse...

Obrigado, Mauricio, pelos comentários. Disseste tudo e um pouco mais. É esperar que esta fase triste passe, trabalhar para isso reconstruindo nossos clubes, sem ignorar que chegamos a este momento catastrófico por culpa nossa. Os Atléticos Paranaenses só fizeram aproveitar-se da nossa fraqueza para parecer grandes merdas.

Ao Cahuê: difícil entender o seu arrazoado incongruente. Eu falo de uma conjuntura triste do futebol brasileiro como um todo e você se enche de brios por causa do Atlético-PR e só me fala do Atlético-PR. Eu cito fatos (a impotência da "nova ordem" brasileira diante do domínio argentino na Libertadores) e você me vem com o argumentum auctoritatis: ah, mas o João Saldanha também achava que o Atlético-PR um dia seria grande. Ele disse. Amém.

João Saldanha foi dos mais brilhantes autores de nossa crônica esportiva, mas, no final da vida, escreveu, disse e fez não poucas besteiras. Ele fala do imobilismo dos dirigentes cariocas mas não conta que ele próprio moveu uma campanha demagógica contra a construção de um grande estádio no interior do Estado, "porque o povo estava morrendo de fome".

Mas não perca a calma, Cahuê. Se você e o João Saldanha estiverem certos, os fatos se encarregam de me desmentir. Por enquanto, acho difícil refutar o fato evidente de que o futebol brasileiro vai mal justamente no momento em que Furacões e Criciúmas parecem grandes. Se um dia um clube desses ganhar uma Libertadores, talvez dê para argumentar que eles é que viraram grandes, e não que os grandes se debilitaram.

Só acho que um clube grande de verdade não precisa reivindicar sua grandeza, como você está fazendo, apoiando-se no João Saldanha.

Cahuê disse...

Tinhorão, o texto que escrevi não se referia a esse seu último post específicamente. O que eu quiz dizer é que não dá para entender vocês descerem o pau em algo que não conhecem e vir com esse papo de nunca, nunca, nunca. E só me apoiei no Saldanha porque sei que é alguém que vocês respeitam, já que nossa opinião de simples mortais paranaenses para vocês não valem nada. E sobre o Atlético ter virado grande, não tem sentido isso. O Atlético sempre foi grande. Hoje pelo menos um dos 10 mais, como dizia Saldanha. Contando tudo. Torcida, títulos, tradição, estrutura, patrimônio, elenco, etc, etc, etc. O tempo já te desmentiu, Tinhorão. Você que não percebe.

Oswaldo Tinhorão disse...

Uma Libertadores, Cahuê; um Mundial; uma MERCOSUL ou coisa semelhante; um -- UM! -- craque que tenha entrado para a história do futebol brasileiro; uma torcida significativa fora do Paraná.

Demonstre que vocês têm algum dos itens acima e pode ser que eu dê o braço a torcer. Sem isso, tenho para mim que o Atlético-PR, com seu UM título brasileiro, não é muito mais que o Coritiba ou o Guarani (dois clubes, aliás, que têm estádios de respeito, já que vocês se baseiam na Arena para demonstrar a grandeza do Atlético).

Andre Doria disse...

Prezado Tinhorão,

Mais uma vez, sua análise se mostra CORRETÍSSIMA. É lógico que, como Flamengo que sou, ainda não consegui entender como meu time entrou nas 4 linhas de uma forma ACOVARDADA, INCONSEQÜENTE, NEGLIGENTE, DESLIGADA. Somente o Sarriá, Maracanazo de 1950, a queda da laranja mecânica frente um burocrático futebol alemão em 1974 e a mesma peça pregada pelos mesmos alemães em Puszkas e cia. vinte anos antes podem ser mais decepcionantes e deprimentes. Infelizmente, os deuses do futebol gostam de pregar esses tipos de peça. O Correio Braziliense de ontem é que expressou as mais justas palavras para a tragédia: MARACANAZO CAIPIRA. E de fato, o foi!

É duro, é bem verdade, ter um bi-vice na Copa do Brasil, ainda mais por um time chamado Santo André. Ontem, odiei meu nome profundamente... Mas devo dizer que temos um excessivo número de jogadores que já defenderam a colina anteriormente. Talvez aí essa sina de bi-vice campeonato: da Silvas, Fabiano Ellers, Abéis e Felipes podem explicar isso.

Mas devo também dizer que a tal "NOVA ORDEM DO FUTEBOL", pregada aos 4 ventos por Sua Excelência o Exmo. Sr. Galvão Bueno e comentaristas é algo tão falso, utópico, distante e inverossímel que a Rede Globo deveria suspendê-lo das atividades tão porcamente desempenhadas por ele na emissora líder do Brasil, que se orgulha em dizer cobrir 99.27% do território nacional. Feliz do 0.73% do país que não viu aquele espetáculo de 5a. categoria, onde um bando de jogadores, que se diziam profissionais, estavam vestindo as cores vermelha e preta do clube mais tradicional e vitorioso do país.

O futebol não tem nova ordem porra nenhuma. Ontem, um obscuro Once Caldas derrotou o grande Boca Jrs. nos penalties e, creio que torcedores do River Plate, Velez Sarsfield, Rosario Central e outros devem estar em côro a fazer contra o Boca o que torcedores do Arco-iris F. C. vêm fazendo contra a torcida do Mais Querido (e odiado!) do Brasil. E nem por isso se fala em NOVA ORDEM DO FUTEBOL SULAMERICANO.

Santo Andrés, São Caetanos, Atlético/ PR, Brasilienses, Figueirenses, Criciúmas e tantos outros ainda vão ter de comer muito feijão pra chegar onde os times de primeira linha estão. E não chegarão. Como dizia o meu avô, e desculpe-me o baixo calão da gíria, essa NOVA ORDEM DO FUTEBOL NACIONAL do Galvão Bueno é "muito peido pra pouca bunda". Muito barulho, mas algo sem nenhum efeito ou estrutura. Algo como a água: insípida, incolor e inodora.

Daqui a dois ou três anos, esse troféu estará empoeirado numa sala ou porão de troféus do "E. C. Santo André de tantas glórias" (como diz aquele paulista cretino, desculpem o pleonasmo, que apresenta o "Gol, um grande momento do futebol"), e daqui a 20 anos estará escrito já com uma pintura pra lá de lascada num mural do acanhado estádio de S. André - SANTO ANDRÉ CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 2004.

É isso, Dr. Tinhorão: com a licença do meu falecido avô Felisbello, a NOVA ORDEM DO FUTEBOL BRASILEIRO é "muito peido pra pouca bunda".

Kiko disse...

Por um Novo Acordo no Futebol

Na década de 1930 os Estados Unidos e em conseqüência o mundo vivam uma grave crise, de superprodução e subconsumo. Muitas empresas e pessoas foram à falência e havia miséria, desemprego e fome. O estopim da crise foi a quebra da bolsa de Nova York em 1929.

O governo americano dizia que esta crise se resolveria por si própria, que o capitalismo 'encontraria' uma saída para a crise e que uma intervenção na economia seria impensável, 'coisa de comunista'.

O novo presidente eleito, Franklin Roosevelt, fez a tal 'coisa de comunista': propôs um novo acordo, o "New Deal", em que adotou políticas que fizeram os EUA saírem da crise e a economia cresceu absurdamente, criando empregos e acabando com a miséria.

Façamos um paralelo com a situação do futebol brasileiro. Hoje, nossos craques jogam no exterior; os clubes estão falidos, compostos por jogadores recém saídos da categoria de juniores e trintões em fim de carreira; na Libertadores perdemos para times fraquíssimos; os grandes clubes não ganham nada de importante há anos. Como dizem os comentaristas, 'o futebol está nivelado por baixo' ou como se expressa o Tinhorão, estamos na nova ordem de Furacões e Santo Andrés.

Pois bem, qual a solução que os jornalistas esportivos dão para essa crise, que se arrasta desde os anos noventa? NENHUMA. ZERO. NADA. Só sabem critiar os times quando perdem, elogiar quando ganham e só. É mais cômodo para eles.

E qual a saída? Na minha opinião, criando um New Deal para o futebol nacional. A intervenção do governo. Novas leis que dificultem a saída de jovens jogadores para o exterior, por exemplo, exigir que o jogador dispute pelo menos umas duas temporadas no Brasil, parcelamento e perdão parcial das dívidas dos grandes clubes e não apenas a transformação dos clubes em empresas que, com dívidas enormes, entrariam em falência no dia seguinte. Esta proposta, poucos tem a coragem de defender e, fora alguns aventureiros picaretas que existem, só vi mesmo o Oswaldo Tinhorão propor algo parecido. Essa capacidade de enxergar o futebol real e a coragem para descrevê-lo é o que difere um Valido Platero ou Oswaldo Tinhorão de um escrevinhador como Fernando Calazans ou Renato Maurício Prado.

Mauricio disse...

E ainda adiciono mais uma coisa: pq, ano após ano, vem aumentando o número de jogadores estrangeiros no país? Pego como exemplo o São Paulo, que contratou um venezuelano (Rondon) e está fechando com um uruguaio (Pato Sosa).

O Cruzeiro tem o Maldonado, os times do Sul sempre tem algum gringo, principalmente na defesa, o Vasco tem o Pet, o Vitória tbm sempre tem os seus gringos...

Pq o futebol do Brasil (obs.: não é o futebol brasileiro como um todo, e sim os jogadores que atualmente atuam aqui no Brasil) atingiu o nível técnico mais baixo de toda a sua história. E isso é comprovado pela qualidade dos times que hj lideram o Brasileiro e no exemplo de um Santo André campeão da Copa do Brasil.

Pega o Figueirense e larga essa merda na Libertadores para ver o q vai acontecer? E não adianta citar Once Caldas como exemplo de time medíocre que chega, pq eles se valem da altitude de mais de 2.000 m e um time esforçado, que poderia ter sido eliminado pelo Santos, São Paulo ou até pelo Boca se não fosse a auto-suficiência destes 3 times (principalmente o Santos).

Um jogo entre Once Caldas x Porto é simplesmente um fracasso para toda a gama de patrocinadores desse "Campeonato Mundial em jogo único". Sinceramente, eu não me proponho a assistir um lixo desses, mesmo pq o Porto é time de segundo escalão na Europa, e os motivos que o levaram a ganhar a Champions League foram, tbm, a auto-suficiência de times como o Manchester United e La Coruña, por exemplo.

Aliás, uma final entre Monaco x Porto, e uma final de Eurocopa entre Portugal x Grécia são provas que esse baixíssimo nível do futebol mundial não se restringe somente à América do Sul.

Quem se individa, perde. Isso é fato. Quem paga um teto de R$ 10.000, mas paga em dia, tem chegado.

Mas eu faço a seguinte pergunta a vocês: pega o time do Figueirense e bota a camisa do Flamengo, faz essa mulambada jogar no Maracanã pra 70.000 pessoas, com pressão a semana inteira. Eu DUVIDO q esses merdas chegariam a algum lugar.

Ou melhor: algum de vcs seria maluco de convocar para seleção algum jogador do Figueirense, Criciuma, Ponte Preta, Goiás e adjacentes? Então porra, que nova ordem mundial é essa que não reflete os jogadores desses times nas seleções destes países?

Imaginem uma seleção com Edson Bastos (Figueirense), Luiz Paulo ET (Criciuma), Dininho e Serginho (São Caetano) e Romerito (Santo André); Carlos Alberto (Figueirense), Cleber Gaucho (Criciuma), Isaías (Figueirense) e Elvis (Santo André); Alex (Goiás e artilheiro do campeonato) e Reinaldo (Criciuma), com Pericles Chamusca de técnico.

Imaginaram? Pois é... essa é a nova ordem mundial. Bota o Galvão Bueno pra narrar um Brasil x Argentina com o Casagrande e o Falcão comentando.

Juan Saavedra disse...

Só discordo das críticas dão Porto. Embora os portugueses não são a primeiríssima linha do futebol europeu, têm seu peso. Ganharam, inclusive, a Liga de 87 e o Mundial.

O Sul é meu País disse...

Esse flamengo de merda deveria pagar as dívidas e fechar as portas.....