22 de mai de 2003

ÀS FAVAS O FAIR PLAY

Dizem as regras do fair play que, além de saber perder com elegância, é preciso saber ganhar com graça. Às vezes acho a segunda parte mais difícil de cumprir do que a primeira, sobretudo quando o adversário nos surpreende com um injustificável clima de guerra como o que se viu ontem na Ilha do Retiro.

Peço desculpas, então, se não sigo à risca as regras do fair play e me permito tripudiar um pouco mais do Sport Recife, desenvolvendo três pensamentos que me vieram à cabeça.

1) Li neste blog que algum doido furioso fez um levantamento qualquer e concluiu que o Sport é "um dos cinco clubes mais bem administrados da América Latina".

Na minha terra, ser rebaixado para a segunda divisão é sinal de péssima administração. Parece que em Pernambuco, não. A não ser que se trate de uma estratégia a médio prazo para tornar a conquistar a segundona e, mais uma vez, posar injustificadamente de campeão do Brasil.

É que, lá em Pernambuco, título da segundona justifica estrelinha na camisa.

2) Falar em estrelinha, o Sr. Fred Domingos andou insinuando por aí que o Flamengo tem quatro estrelinhas brancas na camisa porque admitia que o título de 1987 foi do Sport, ou porque sei lá que forças superiores o impediriam de bordar a quinta.

Duas considerações: primeiro, seria lícito esperar do Sr. Domingos um pouco mais de conhecimento do Manto Sagrado, já que o Sport tem o péssimo hábito de imitar o uniforme do Flamengo. As quatro estrelinhas na camisa do Flamengo dizem respeito aos quatro tricampeonatos cariocas conquistados pelo clube, cada um deles, aliás, incomensuravelmente mais valioso que um Módulo Amarelo.

Segundo, ninguém impede ninguém de bordar na camisa quantas estrelas quiser. Não fosse assim, alguma entidade superior já tinha proibido o Vasco de jogar com a camisa pontilhada de dezoito estrelas que não valem porra nenhuma. Parece que lá até título de purrinha justifica uma estrelinha (o que não é muito mais grave do que bordar uma por causa do Módulo Amarelo).

3) Por fim, insisto em que foi incompreensível o clima de guerra com que a torcida do Sport recebeu o Flamengo ontem. Dir-se-ia que o espúrio título de 1987 é a única coisa a sustentar a auto-estima periclitante dessa gente.


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