12 de jun de 2003

VACAS SAGRADAS E BESTAS QUADRADAS

Não estou com o melhor humor do mundo para escrever. Do jogo, comento muito pouco. Quero apenas registrar meu emputecimento com o comportamento, de domingo para cá, de algumas vacas sagradas -- ou bestas quadradas -- da crônica esportiva carioca.

Após o empate com o Cruzeiro no domingo, muita gente boa -- e o Sr. Fernando Calazans -- só faltou pedir a cabeça do Nelsinho numa bandeja, com uma maçã na boca, pela postura defensiva do time no Maracanã. Para mim, a disposição do Flamengo em campo, no domingo, foi decorrência lógica de uma correta avaliação de nossas evidentes limitações técnicas e das superiores virtudes do adversário. Para o Sr. Calazans, foi “covardia”, “culpa exclusiva do técnico”, afinal, “o Flamengo é muito maior que aquilo”.

Minha avaliação é que, depois das goleadas no Paraná, o Nelsinho fraquejou. O técnico que esbanjava autoridade há uns dois meses sentiu a seringa chegar-lhe ao cu e resolveu dar ouvidos aos palpites azedos dessa gente. Resultado: atendendo a pedidos, armou um time lindo, leve e solto para a finalíssima e olha aí a trolha que levamos.

Passo ao largo dos outros críticos cuja ênfase contribuiu para que o Nelsinho escalasse o time que escalou, ontem. Como eu disse, tinha gente boa ali, gente que entende de futebol. Quero concentrar-me no Sr. Calazans. Acho, sinceramente, inexplicável como um cretino dessa categoria continua ocupando o espaço que ocupa num dos maiores jornais do país, arrotando obviedades e eximindo-se de sua obrigação de analisar os fatos com realismo.

Sua incapacidade crônica para assimilar as mudanças por que passou o futebol de umas décadas para cá leva-o a proclamar estupidezes solenes como aquela de que a Seleção do Felipão daria um vexame maior do que o de 1966 -- voltou penta. Ou de que o Flamengo, por ser o Flamengo, não pode tomar as devidas precauções defensivas para enfrentar um Cruzeiro evidentemente superior.

A realidade vem, indefectivelmente, tratando de demonstrar que o Sr. Calazans não entende porra nenhuma de futebol. Para o bem (como no caso do Felipão) e para o mal (como na derrota de ontem).

O que é lamentável, acima de tudo, é que os palpites azedos de uma besta quadrada como o Sr. Calazans possam ter influído na perda do título. Depois das coisas lunáticas que escreveu a respeito da Seleção do Felipão, ninguém mais devia dar ouvidos a esse cavalheiro.

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