4 de abr de 2003

ARMANDINHO E GIULIANO

Antes de botar no ar este blog, quando minhas manifestações sobre futebol se restringiam aos botequins da vida e listas de discussão na internet, muita gente boa -- e outra não tão boa -- especulava sobre a idade do Tinhorão. A dúvida foi sanada com o post (ver abaixo) Eleven years tomorrow (que, aliás, só não se chamou Onze anos esta tarde, em vernáculo, por causa dessa minha maldita mania de exatidão).

Digo isso para contextualizar a seguinte afirmação: eu fico genuinamente surpreso quando ouço gente qualificada, insuspeita mesmo, dizer que o melhor árbitro que viu apitar foi Armando Marques. Não tenho idade para ter visto o Sr. Marques trilar o apito, distribuir cartões e fazer trejeitos (trejeitos de árbitro, não me entendam mal), mas volta e meia vejo o seu nome mencionado na historiografia futebolística nacional. Sempre por alguma trapalhada que ele aprontou.

Armando Marques foi o juiz que, na disputa de pênaltis que definiria o campeão paulista de 1973, errou uma conta que qualquer criança de dez anos saberia fazer. Por causa disso, Santos e Portuguesa tiveram de dividir o título. Dois anos antes, Armando Marques invalidou um gol legítimo de Leivinha, do Palmeiras, com o argumento inacreditável de que o atacante deu um soco na bola, e não uma cabeçada. Por causa disso, o São Paulo ficou com o troféu. Em 1974, entre outras mumunhas, anulou um gol escandalosamente legítimo do cruzeirense Zé Carlos, aos 45 do segundo tempo, e, com essa ajudinha, o Vasco conquistou seu primeiro Brasileiro roubado.

Como pode ter sido o melhor juiz do Brasil um sujeito com esse histórico -- aliás, prontuário -- é coisa que escapa à minha limitada imaginação.

As trapalhadas do Sr. Armando Marques não terminaram quando ele pendurou o apito. Dirigindo a Comissão de Arbitragem da CBF, é figurinha freqüente no noticiário esportivo, sempre que o foco deste é desviado do campo de jogo para essa choldra que se convencionou chamar "dirigentes".

A notícia que me chega pelo Gustavo deveria novamente botar o Sr. Armando Marques sob os holofotes, e novamente por uma trapalhada sua. Pois não é que a Comissão de Arbitragem resolveu escalar, para apitar o jogo mais importante da próxima rodada -- São Paulo x Cruzeiro, Oswaldo de Oliveira x Wanderley Luxemburgo --, ninguém mais, ninguém menos do que Giuliano Bozzano?

Giuliano Bozzano, aquele mesmo que roubou o Flamengo contra o Palmeiras, ano passado. Digo roubou e insisto no termo: roubou. Erros daquela magnitude, e em momentos tão determinantes, são algo mais que simples erros.

O Gustavo tem razão: o Sr. Giuliano Bozzano ainda vai dar muito o que falar neste Brasileiro.

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