3 de dez de 2012

SÓ ENTENDE QUEM É FLAMENGO

Terminada a apuração da primeira urna, e confirmada a derrota acachapante da srª. Patricia Amorim, Eduardo Bandeira de Mello, como convém ao Presidente da Nação, aceitou civilizadamente os cumprimentos da perdedora. Era a coisa certa, o gesto apropriado, naquela hora.

Não se esperasse, claro, da srª. Amorim, a coisa certa e o gesto apropriado por muito tempo. Ao deixar a Gávea, escoltada pelos jagunços que em três anos foram seu melhor escudo contra a crítica democrática, Patricia Amorim desandou a vomitar bobagens. Em vez de reconhecer erros e fazer votos de que, quiçá, daqui a dez anos sócios e torcida percebessem a importância de seu legado, a agora (Deus e São Judas Tadeu sejam louvados) futura ex-presidenta bostejou bobagens sobre “um monte de homens se reunir para derrotar uma mulher”. Uma coisa reconheçamos: com todos os defeitos que tem, Patricia Amorim tem a grande virtude da previsibilidade: quando acuada e derrotada, imediatamente se lembra de sua condição de mulher e choraminga contra um mundo injusto gerido pelos que têm pau. A acreditar nessa chorumela, a derrota dela própria nas eleições para vereador há de ter sido um complô de maridos ruins que determinaram a suas esposas em quem não votar.

Não é hora de enumerar os incontáveis defeitos de Patricia Amorim. O eleitor rubro-negro já os sopesou e referendou o nome aclamado pela torcida, em votação humilhante para qualquer presidente em exercício. Mas, se hoje passo ao largo do amadorismo e da complacência com o fracasso, da gestão temerária, da arregimentação de torcedores profissionais como camisas pardas e do desrespeito com a história do clube e seus ídolos, há um defeito que não quero nem posso deixar passar. In a nutshell, Patricia Amorim foi a pior presidente da história do Flamengo em 117 anos porque nunca antes, como em sua gestão, se tentou opor o torcedor ao associado como adversários e talvez inimigos. Nunca antes, em 117 anos, se pretendeu opor o parquinho ao futebol, o estacionamento à sala de troféus, o Cesar Cielo ao Zico. Que Patricia tenha sido derrotada por imensa mobilização da torcida, com votação maciça de sócios off-Rio – os que não freqüentam o parquinho –, há de ser um desfecho educativo para todos os prefeitinhos e eleitores de prefeitinhos.

O Flamengo, cavalheiros, é muito mais que duas piscinas, quadras de tênis, estacionamento, sauna e parquinho. É muito mais que os 2 mil e poucos sujeitos que saíram de casa (alguns de longe pra caralho) para dizer não a Patricia. O Flamengo são os milhões que ficaram ao pé do rádio aguardando o desfecho das eleições e torcendo contra Patricia Amorim. Quem não entendeu isso não apenas está errado. Quem não entendeu isso não é Flamengo.

O gesto de Eduardo Bandeira de Mello, como eu disse no início, se justifica pela magnanimidade que é preciso mostrar na vitória. Passado esse momento, no entanto, é preciso não cometer o mesmo erro de 2002. É preciso não nos conformar com a derrota, ou a destituição, de um presidente nefasto. É preciso derrotar também, e reduzir à irrelevância, os que deram sustento a essa forma antiflamenga de se fazer política na Gávea.

Que o primeiro passo venha no dia 13 de dezembro, data magna do calendário rubro-negro, quando se elege o Presidente do Conselho Deliberativo. A Chapa Azul não pode desmobilizar-se. E não pode se esquecer de que há, entre os candidatos, gente que não é Flamengo.