12 de fev de 2004

FOR THE ROAD:
AURIVERDE UNIFORME DA MINHA PÁTRIA
QUE A FILHA DA PUTA DA NIKE AVILTA E DESONRA




Uma última notinha antes de partir. Acabo de ver o novo uniforme da Seleção (foto) e não encontro palavras para exprimir a minha revolta. Deviam castrar o filho da puta responsável por um desrespeito desses, para não deixar descendência.

Essa não é a camisa do Zico, do Pelé, do Garrincha, do Gérson, não é a camisa do Didi, do Falcão, do Nílton Santos. Aquele círculo numerado na barriga -- parece uma bola de sinuca! -- é uma cusparada em cima da história dessa camisa, é um desrespeito contra o maior símbolo deste país.

Confesso que há muito não sinto mais tesão de ver a Seleção jogar, mas foda-se: a Amarelinha é um símbolo nacional tão representativo quanto a bandeira, o hino, o Cristo Redentor. Se querem encher o uniforme de viadagens para vender mais, que façam isso com a camisa nº 2, ou que criem um terceiro uniforme, não me oponho a nada disso. Mas com a Amarelinha, não, filhos da puta.

É preciso que as pessoas de discernimento orientem os bobos alegres que hão de se empolgar com a novidade e expliquem por que ninguém deve comprar essa camisa, por que ninguém deve dar dinheiro a esses desgraçados.

Lembram quando o Bragantino começou a incomodar os grandes, no começo dos anos 90? Logo, logo, apareceu um designer para bolar aquela camisa ultrajante que mais parecia uma vidraça estilhaçada. Deu certo: venderam-se toneladas daquela porcaria. Cansei de ver gente usando aquele trapo... no Maracanã! Claro, comercialmente, foi um êxito rotundo.

Estão tratando a camisa da Seleção como se fosse a do Bragantino.

10 de fev de 2004

ATÉ LOGO AOS AMIGOS E VAI TOMAR NO CU, FABAIANO

É desagradável frustrar meus oito leitores dessa maneira, mas, mais uma vez, compromissos profissionais impedirão uma atualização criteriosa deste blog pelos próximos quatro meses. Parto no domingo próximo para uma viagem de trabalho. Volto com o Campeonato Brasileiro já engrenado e espero encontrar o Flamengo campeão carioca, apesar de tudo, e sem o Fábio Baiano, por tudo.

Até lá, aos que se acostumaram com a imparcialidade deste cronista, sugiro uma leitura atenta do Valido Platero -- que é por onde pretendo manter-me informado sobre o futebol pátrio nesses quatro meses. Mas não deixem de visitar este blog ocasionalmente: pode ser que, ao contrário do gorila da piada, eu dê notícias.

Obrigado aos leitores e saudações rubro-negras.

4 de fev de 2004

LADRILHEIROS UNIDOS

Para as almas sensíveis que se sentiram tocadas pelo lirismo do último post e pelo bom gosto das referências cinematográficas que o ilustram, tenho imenso prazer em anunciar a inauguração do blog Ladrilheiros Unidos, de meu compadre Valido Platero.

Descontados os evidentes exageros do Valido em homenagem a este cronista, certifico e dou fé que os leitores encontrarão, em cada linha do que escreve o Valido, as mesmas qualidades que -- perdoe-se-me a imodéstia -- venho logrando manter em meus escritos futebolísticos: imparcialidade, isenção, descompromisso com qualquer clube, o primado da verdade acima de tudo.

Com o Valido no ar, reforça-se ainda mais a antiga constatação, agora aplicada à comunidade blogo-futebolística brasileira: quem manda nesta porra é a torcida do Urubu.


3 de fev de 2004

FLA-FLU: UMA ANÁLISE RONJEREMIANA

Feitos os salamaleques que este cronista julgava cabíveis ao Fla-Flu e a nosso mais digno rival, é chegada a hora de tripudiar um pouquinho do adversário de domingo, antes que meus oito leitores se impressionem com meus elogios rasgados ao tricolor e concluam, com precipitação e evidente desacerto, que o Tinhorão aviadou.

Deixo a análise ronjeremiana (ou seja, alicerçada nos postulados do Dr. Ron Jeremy) a meu compadre Valido Platero, que compartilhou comigo reflexões que lhe ocorreram após a leitura da seção "Fala Tricolor", do site Sempre Flu -- dos melhores sites de humor do Brasil, no gênero "humorismo involuntário". Platero:

Deus do céu.

Vi o tal blog do Sempre Flu.

É um espetáculo lastimável. Nunca pensei que eles vivessem TANTO em função do Flamengo.

Nunca imaginei que, enquanto passo meus dias preocupado com Junior Baiano na zaga, Da Silva no meio-campo, Jean no ataque, Márcio Braga, Delair, etc, os outros torcedores de outros clubes passassem o tempo fazendo A MESMA COISA que eu, ou seja, vivendo pelo Flamengo.

Só pensam em Flamengo, só ficam justificando o tal olé. Só ficam reclamando do fato de que o Felipe ESCULACHOU os onze jogadores mais os reservas e mais os 6 mil torcedores que foram torcer pelo Fluminense. Só ficam chiando do fato de o Felipe ter estuprado o Fluminense do mesmo jeito que o Sean Michaels e o Mr. Marcos já se cansaram de fazer com a Daniel Cheeks ou com a Talia James ou com a Tiffany Mynx.

Foi uma curra tão intensa que acho que o Pay Per View deveria passar NO SEXYHOT e não no Sportv. Crianças não deviam ver o Flamengo fazendo aquilo. O jogo deveria ter sido apitado pelo Neville D´Almeida, que já tem a experiência em uma cena parecida, a de Lucélia Santos sendo violentada por oito negões e gritando "foooode negro". É isso aí: o Fluminense ontem passou 90 minutos gritando "foooooooode" e a gente achou que era "oooooooolé".

É uma pena -- sou egoísta nas minhas paixões. Queria que o Flamengo fosse só para mim, ou melhor, para nós rubro-negros. Mas os outros insistem em participar, em querer adorar o Manto também.



2 de fev de 2004

CONFISSÕES APÓS UM FLA-FLU ETERNO



As gerações mais jovens -- essa gente esquisita que acha que Curintcha x Parmera é clássico, que o Cruzeiro é um clube vencedor e que referência de ídolo rubro-negro é um certo anão de língua presa -- tiveram ontem uma oportunidade única de se instruir sobre o que é futebol brasileiro. Num Maracanã lotado (lotado para os padrões de hoje, quando essa gente esquisita acha que 60 mil é um público estupendo), os dois únicos clubes eternos do futebol brasileiro travaram um duelo digno das melhores tradições do Fla-Flu.

Na euforia pós-clássico, acho até que foi um dos maiores Fla-Flus de todos os tempos -- na companhia daquele poema que foi a final de 1995, com gol de barriga do Renato, dos 5 x 0 do último gol de Zico (que ele guardou para um Fla-Flu), dos 4 x 2 de 1973 (deles) e de 1991 (nosso), do Fla-Flu da Lagoa de 1941, do 0 x 0 de São Marcial em 1963, do golaço-aço-aço do maior camisa 2 de todos os tempos, em 1985, de Assis decidindo um clássico que parou o Brasil em 1984.

Dado eloqüente da breve retrospectiva acima: são quatro vitórias tricolores, quatro rubro-negras (com a de ontem, cinco). Além de demonstrar cabalmente -- aliás mais uma vez -- a imparcialidade deste cronista, o dado comprova o amor que sentimos pelo Fla-Flu todos os que somos genuinamente apaixonados pelo futebol: gosto tanto desse clássico que lembro com carinho até algumas de nossas derrotas mais sofridas.

(Exemplo: se me deixou sem dormir naquela noite lá se vão quase dez anos, hoje lembro com carinho do gol de barriga do Renato porque acrescentou a dose extra de dramaticidade que faria daquele um Fla-Flu de verdade. Não bastava o Flamengo ter tirado forças do nada para empatar um jogo já perdido: um Fla-Flu daqueles tinha de terminar de maneira inverossímil, com um Fluminense batido virando o jogo pelo avesso mais uma vez, com uma bola boba que bate numa barriga e vai, em câmara lenta, rumo à meta rubro-negra, sob os olhares incrédulos de onze flamengos na área e mais 60 mil -- yo incluso -- nas arquibancadas.)

Faça um teste com torcedores de outros clubes e pergunte se se lembram com carinho de alguma derrota diante do maior rival. Um prêmio para o curintchano que me confessar que, hoje, enxerga poesia nos 30 mil palmeirenses rezando de mãos dadas em 1993, enquanto Evair corria para a marca de cal e decretava: Porcos 4 x 0 Gambás. Um prêmio para o colorado que achar graça no André Catimba dando e levando porrada, fazendo o gol do título e caindo com os cornos no chão em 1977. Um prêmio para o vascaíno que se emocionar com Rondinelli “penetrando como um pênis a defesa cruzmaltina”, subindo mais que todo o mundo e estabelecendo uma marca: aqui começa o maior esquadrão de todos os tempos.

Isso não existe, senhores, e não existe porque o Fla-Flu é diferente de todas as pequenas rivalidades em que se comprazem porcos e gambás, atleticanos e cruzeirenses, gremistas e colorados, milanistas e interistas, xeneizes e millonarios, madridistas e blaugranas. Não é só um ódio do tamanho do mundo: é uma rivalidade forjada no amor e no ódio, é um eterno acerto de contas entre pai e filho.

Depois daquele jogo de 1995, vi um tricolor desfilar com uma camisa com os seguintes dizeres, em verde e grená: “Eu teria um desgosto profundo / se faltasse o Flamengo no mundo”.

Faça esse outro teste: que palmeirense teria um desgosto profundo se faltasse o Curintcha no mundo? Jurando sobre a Bíblia, nenhum.

Aliás, é essa a diferença entre o Fla-Flu e o Flamengo x Vasco. Se me dessem esse poder, o clube do subúrbio deixava de existir amanhã mesmo. O Fluminense, não.



***

Dizer o que do anão ontem? Depois do primeiro gol rubro-negro, jogou um partidaço, virando para 3 x 1. Depois dos 3 x 1, não lhe bastava a consagração ao final dos 90 minutos, não queria compartilhar a sua glória com os dez coadjuvantes tricolores, e saiu para ser ovacionado sozinho. De herói a vilão em menos de 30 minutos: não fosse seu estrelismo, não fosse seu ego inflado, a história do jogo poderia ser outra.

É por essas e outras que me recuso a ver no Romário um dos gigantes do futebol (sem trocadilho). Se lhe sobram qualidades técnicas, faltam-lhe quase todas as qualidades morais (ambição, sede de glória, capacidade de entrega) que fazem um grande campeão.

Sacripanta!

***

Frase memorável do meu amigo André Doria, sobre o Parmera: “Ser campeão da Libertadores e já ter caído para a segundona é a mesma coisa que ter comido um monte de mulher gostosa, mas confessar que um dia já deu a bunda.”